terça-feira, outubro 18, 2011


De regresso à estrada pouco alumiada do que não é real. Por passageiras sugestões de claridade se participa nesta não-viagem...

Se é verdade que nas noites em que o céu está pouco claro, o brilho de um cometa incita a que os espíritos perplexos se arrastem consigo, não menos o homem se queda entregue ao trespasse pela essência escura e contrária em redor. E pelo campo afora tudo o mais é tão naturalmente indistinto e mistério quão as luzes escasseiam mais ainda, as traças o que resta visível da noção desconfortante de baldio.

Candeeiros trémulos... Para onde? (E a razão?) Pisa-se na medida da demência a entrega ao nada, tendo por escala ou destino certos a insolvência da viagem, o estar-se perdido nesse mapa astral por trazer no bolso físico. Eleva-se para se entender que a altura é ou tornou-se uma espécie de colapso com a falta de sustento, a consciência dissimulada de tédio e vice-versa escrevendo a lei da gravidade no plano da altura fictícia. E a lei essa, revôlta em não haver caído senão onde se sempre esteve, é o colidir com aquilo que é a memória sensorial dos vislumbres fotográficos desse hipnótico rasto branco que são os pózinhos de magia que esporádicos se fazem libertar à estratosfera.

...

Halos de côr arroxeada ou escarlate. Halos em vibração, halos em diluição. Mais vibração... E súbito, a percepção de que não se trata de um exuberante cometa. É em verdade todo um Outro Universo, uma neo-génese em bruto e absoluta, todo um ilimitado esplendor galáctico que ali, na mera finitude da possibilidade cósmica, deixou pintalgar a sua magia supra, e transliterou manchas de tudo o concebível e o inconcebível. É nesse preciso instante e em nenhum outro, é nesse ínfimo milionésimo de segundo em que toda essa humanamente incomportável compreensão do que por ali acabara de passar se abate esmagador, e tudo se transfigura, tudo assume uma face coloridamente reveladora de elementos do inexplicável; numa milionésima de segundo em que saltam ao ecrã da nave ou exploração, a noção de que tudo é ali mais e maior, de que tudo é ali o que não é em mais lado nenhum, ou de que tudo é ali.

Mas no instante seguinte, o mesmo ecrã ou exploração apaga e apenas é de observar um baço reflexo do real (expressão indecifrável). Não existe explorador do paralelo; tal é uma profissão históricamente do lado de cá. Em rigor, é quase paradoxo a latência necessária do concreto na novidade. Não é possível.

Mais uma vez, não é possível.

...

Condenados ao inegável, todos os visados estão remetidos a regressar por de onde vieram, perturbados pelo eco desse esplendoroso mundo sinfónico, e mais que cegos só por lhes ser nítida na terra seca o decalque das suas pegadas idas, bem como por a luz dos candeeiros que ressurge lhes humidificar a visão com o ardor melancólico da sua vaga claridade.

Tão vaga ao pé Daquilo... de todo Aquele mistério... de toda Aquela magia!...